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Por: Klever Kolberg ligado: junho 16, 2017 Em: Jobs, Palestras Comentários: 0
Palestrante praticando surf

Palestrante, piloto e engenheiro pratica surf

Palestra Motivacional

O piloto e engenheiro Klever Kolberg compartilha no site Palestra Motivacional algumas de suas experiências. Desta vez no surf.

A Motivação

Todo surfista vive em busca da melhor onda. E neste caso, quantidade é qualidade, então o tamanho realmente importa. Todos querem viver essa experiência.

O sonho não acaba

Após mais de 35 anos dedicados ao vôlei e rally, este ano tive a oportunidade de retomar minha carreira nas ondas. Surfei na minha adolescência. Nunca fui competidor nesse esporte, jamais havia morado próximo a uma praia, mas mesmo no meio do Deserto do Saara, nunca desisti de sonhar que esse momento.

Realizando o sonho

Ele chegou, mas não foi bem como no meu sonho, porque este reinicio, após tanto tempo, tem sido diferente do que eu imaginava. O meu desempenho tem sido um pouco frustrante, quase um pesadelo para quem tem uma cultura competitiva. Mas sou persistente e continuo insistindo.

Dificuldades geladas

Também é importante mencionar que nos velhos tempos estava nas águas do Atlântico, na costa brasileira. Embora desta vez no mesmo oceano, estou do outro lado, onde a água é literalmente mais gelada. Para quem está acostumado às temperaturas da água no litoral em que as caravelas de Cabral chegaram, de onde elas partiram eu classificaria como um surf “on the rocks”.

O fato

Com este frio é recomendável utilizar uma boa roupa de neoprene (roupas de borracha) para manter a sanidade e não ficar estalando os dentes. Após vestir este fato, expressão utilizada para esse acessório de surf em Portugal, a remada e todo e qualquer outro movimento fica mais pesado, requer mais esforço, ou seja, você vai cansar bem mais rápido.

Agueiro no amr em Portgal

Agueiro

Os riscos

No domingo passado o sol estava forte, e o mar também. Tenho surfado em uma praia onde as ondas são bastante tubulares e arrebentam com força. Também se formam grandes agueiros, como se diz aqui, uma espécie de refluxo do volume de água que retorna da costa de volta para o mar. Na minha infância, nas praias do sul do Brasil, chamaria de repuxo, um canal que devolve a enorme quantidade de água que as ondas trazem. Isso torna o mar perigoso para banhistas menos experientes. Já o surfista precisa remar o tempo todo, para sair desse fluxo de água e manter-se no pico.

Estratégia

E neste domingo eu remei…, remei muito mais que surfei. Quando o braço já estava ficando mole, resolvi dar o ‘braço a torcer’. Decidi sair e ir para a praia ao lado, onde as ondas são menores. Estava lotada de banhistas. Muitas famílias. Nesse local a onda é menor, mas fecha muito rápido, chegando a ser perigosa, principalmente para banhistas. E o tal do agueiro estava forte, grande, espalhado. Então a minha estratégia para economizar energia literalmente foi por água abaixo.

A última tem de ser a melhor

Tentei pegar algumas ondas e logo meu tanque esvaziou. Eu já ia sair… Decidi pegar a última, só que no surf, contrariando aquele ditado que diz que “a primeira impressão é a que fica”, no surf é a última. Você quer escolher e lembrar de uma boa onda, se puder, a melhor do dia. Somando o meu deslocamento dentro da água que já estava mais lento a toda essa seletividade, a tal da melhor onda do dia teimava em não aparecer.

Jogo de paciência

Nesse jogo de paciência, de repente olho um pouco em direção à praia, sei lá porque, já que as ondas nascem no fundo, e vi uma criança nadando. Logo percebi que ela não tinha pé, e que estava nadando contra o fluxo do agueiro, o que nunca deve ser feito, apesar desta ser a reação que normalmente nosso reflexo de sobrevivência erroneamente provoca.

O inesperado

Esqueci da onda e decidi me aproximar para oferecer ajuda, tentando não causar nenhum constrangimento, já que nessa hora muita gente tem vergonha de aceitar o socorro. Ela continuava nadando, o que era bom, mas todo seu esforço em nada resultava, cada vez vinha mais em direção ao fundo. Resolvi entrar em ação.

Primeiro tive de conquistar a confiança dela, usar a empatia, que não é meu ponto forte, para ela aceitar meu apoio. Ofereci a prancha para ela descansar. Porém, logo ela tentou se virar sozinha. Como o tempo não para, nem a correnteza dava trégua, cada vez nossa meta estava mais longe.

Foco na meta

Sorte a minha que nesses momentos de crise tenho uma tendência a manter o foco. Consegui convencê-la a aceitar meu plano. Tive de remar muito mais do que imaginava, sei lá de onde encontrei forças para chegar em terra firme. Eu pensava que seria mais fácil com a prancha, mas com duas pessoas, uma delas um tanto quanto fora da zona de conforto, não foi nada fácil.

Resultado e gratidão

Descobri quão tenso é ser um salva-vidas. Resumidamente fiz o resgate. Consegui remar até que uma onda nos pegou e fomos literalmente arremessados, rolando parar na praia.

Sem entender direito o que eu havia feito, o impacto que causara na vida de uma pequena menina e de familiares que nunca conhecerei, a primeira vontade que logo realizei foi agradecer a Deus por ter sido abençoado com a onda mais importante da minha vida.

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